A arte do encantamento público.
Não é de hoje que enganar o espectador em troca da sua confiança é um ferramenta muito usada, e, por incrível que pareça... muito eficiente... AINDA!!!, e, principalmente quando o objetivo final vai além de simplesmente prender a atenção do mesmo, ou seja, quando o sucesso no encantamento do espectador garante o futuro do ilusionista.
É nessa perspectiva que introduzo a minha linha de raciocínio e tento mostrar o meu olhar sobre o que acontece hoje na cidade de Joinville e, porque não dizer, no governo federal também. A encenação e a narrativa tomaram o lugar do real, do concreto e do efetivo.
Começando pela nossa cidade o que posso ver são obras e mais obras anunciadas, algumas iniciadas e outras apenas propagadas em outdoors, jornais e fotos nas redes sociais, com aquelas fotos clichês de sempre onde sempre tem pessoas engravatadas com sorrisos forçados nos rostos, apertos de mãos, clima de festa e aquela mesa básica ao centro com um papel branco, uma caneta e a cena utópica da assinatura, que ficará registrada e de alguma forma tentará passar a seguinte mensagem ao espectador: "- Olha só o que estamos fazendo por você, nós somos a solução pra você!"
Os problemas que são gerados com esses truques são os mais diversos e por incrível que pareça nunca atingem os atores, sempre retorna para aqueles que estão pagando o espetáculo. Vou falar sobre apenas dois deles, que na minha opinião são os mais críticos.
Podemos ver esses dois truques sendo repetidamente exibidos e ridiculamente ainda aderidos e defendidos por muitos espectadores que se acostumaram a viver no mundo encantado onde tudo que se publica pelo "órgão oficial" é a verdade absoluta, mesmo que em noventa e nove por cento dos casos a verdade das ruas esteja refutando toda a narrativa ao abrir a porta da casa e sair pro trabalho, ao entrar no carro e utilizar a malha viária, ou ainda, ao utilizar o transporte público, ou nos serviços básicos como fazer uma consulta no pronto atendimento e hospital público, no saneamento e água tratada, iluminação pública, segurança, etc, etc, etc, mesmo com tudo isso dizendo, você está sendo redondamente enganado, manipulado e por que não dizer induzido ao erro, essa fatia ainda assim não concorda e não se pronuncia antes de saber o que o gestor público municipal, estadual ou federal vai narrar na próxima aparição, comunicado oficial, coletiva de imprensa ou textão nos perfis "também oficiais", só então ele sairá repetindo a mesma narrativa e depositando a sua vida nisso. Esse é o primeiro problema. A alienação política, o endeusamento de figurões públicos que são agradáveis e convenientes no discurso, sempre com um tom macio de voz, falando em democracia, direitos humanos, progresso, inclusão, estado democrático de direito, mas, que não passam disso, aliás, o que acontece é totalmente contrário ao discurso, porém, como já comentei, pra essa parcela de encantados e já evidenciando o primeiro truque/problema, o que importa é o comunicado oficial.
O segundo e o principal problema, é o fato propriamente dito. É todo o aparato utilizado pra manter o primeiro problema (a alienação política), ou seja, manter os espectadores encantados dessa plateia, aplaudindo, defendendo e recomendando o show. Pra isso o circo é montado em toda a infraestrutura territorial, obras iniciam e nunca acabam, porém, aos olhos dos encantados o fato de haver fitas zebradas, placas de "Desculpe o transtorno", ou "Em obras", ou a movimentação de homens e máquinas fazendo barulho por semanas, meses e até anos, justifica e legitima todo o atraso nas conclusões de obras, as licitações não cumpridas, os milhões de calote, as empresas que abandonam obras sem finalizar, as desculpas esfarrapadas pronunciadas nos veículos de comunicação, contratos assinados sem nunca serem iniciadas as obras, procrastinações na manutenção do patrimônio público, museus, esculturas históricas, as CPIS sem culpados, etc. Mesmo com tudo isso transparente aos olhos, todo o aparelhamento do órgão oficial município, estado e/ou nação, ao invés de de uma vez por todas concluir obras, reduzir gastos públicos, melhorar a qualidade de vida do cidadão, investir em saúde, segurança e ensino efetivamente, persiste em manter " as aparências", manter as obras eternas e pior ainda elaborar obras tecnicamente ridículas, como a duplicação da famosa Marginal do cemitério, de cento e oitenta metros de extensão com prazo de conclusão de dez meses e pela bagatela de três milhões e trezentos mil reais, que se for dividido o investimento por metro de obra, cada metro custará dezoito mil reais, pagos pelo contribuinte. E isso é comemorado pelos eternos encantados.
Enquanto isso a nível federal, enquanto o país vai mergulhando numa crise econômica e ética sem precedentes o perfil oficial do governo em todas as redes sociais, anuncia o melhor tempo do país, com muito dinheiro, prosperidade, amor e o povo feliz de novo.
É... Mas, os prefeitos do nordeste, ontem, mostraram pra toda a nação (https://www.youtube.com/watch?v=PKhecnpSgCE) que a propaganda federal, "É ENGANOSA"...
...menos para os ENCANTADOS!